quinta-feira, 7 de novembro de 2013

poundianas


poundianas

torquato era um poeta
que amou a ana
leminski profeta
que amou a lice
um dia/pós
veio uilcon torto
e pegou a jóia diana
e junto na pereiralice

com o corpo &  alma
 das duas
foi Bouvoir assombradado
roendo o osso do mito
pra lá de frança ou bahia
pois tudo que o anjo dizia
Sartre jurou já ter dito


NONADA
- biúte : ria

Artur Gomes
In Brazilírica Pereira : A Traição das Metáforas







Eu dos Temporais
Reynaldo Bessa/Alexandra Lemos

Não há  nenhum sinal de mim no horizonte
Nem das garrafas que eu lancei de um outro mar
Pra te contar que me esqueci
E por onde foi que me perdi
E afinal desaprendi  como voltar
Não adianta esperar que o sol desponte
Eu não estou por perto nem já vou chegar
Rasguei as velas que eu mesmo abri
E em cada sonho que dormi
Eu era o mar e me engoli pra não voltar
Eu era o mar e me engoli pra não voltar
Tomei de volta o meu futuro que era seu
E o seu passado que era meu não quero mais
O dia ainda está escuro e já nasceu
Porque levei o sol comigo e muito mais
E se eu já nem sei olhar pra trás
Pra que saber onde é o cais
Até meu nome se perdeu
Hoje me chamo eu dos temporais
Quando eu achar o fim do mar e a sua fonte
O sol é seu porque não vou mais precisar
Vai parecer que nunca existi
Pois não há sinal de mim aqui
De tantos mares que eu bebi pra não voltar
De tantos mares que eu bebi pra não voltar
E se eu já nem sei olhar pra trás
Pra que saber onde é o cais
Até meu nome se perdeu
Hoje me chamo eu dos temporais

Faixa do CD O Som da Cabeça do Elefante





natureza morta

o passarinho sem pernas
olha de dentro da gaiola
pendurada no teto
dentro do quarto
da casa sem quintal
a tarde que brilha lá fora

o passarinho sem asas
olha o que o olho permite:
vôo inútil que a tarde inventa
a luz morna e provisória
que vai ser escuro daqui a pouco

o passarinho sem passarinho
a tarde abso
luta
sem pernas
sem asas
sem nada

Celso Borges
no livro BELLE EPOQUE





Sentença

faz muito tempo que eu venho
nos currais deste comício,
dando mingau de farinha
pra mesma dor que me alinha
ao lamaçal do hospício.
e quem me cansa as canelas
é quem me rouba a cadeira,
eu sou quem surfa no trilho
e ainda paga passagem,
eu sou um número ímpar
só pra sobrar na contagem.

por outro lado em meu corpo,
há uma parte que insiste,
feito um caju que apodrece
mas a castanha resiste,
eu tenho os olhos na espreita
e os bolsos cheios de pedras,
eu sou quem  não se conforma
com a sentença ou desfeita,
eu sou quem bagunça a norma,
eu sou quem morre e não deita.

Salgado Maranhão
Do Livro A Cor da Palavra


Prêmio da Academia Brasileira de Letras – 2011

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