segunda-feira, 9 de maio de 2011

CUT e Fiesp querem fim do poder de pesquisa de 'mercado'; BC nega

Com poder de influenciar decisões do Banco Central sobre taxa de juros, pesquisa semanal com 'mercado' é alvo de críticas de trabalhadores e de empresários do setor real da economia, que pedem mudanças. BC diz que levantamento é importante, não muda e que qualquer um pode aderir. Em dez anos, entrevistados já acertaram 75% das apostas sobre juros.

BRASÍLIA – O Banco Central (BC) consulta toda semana de 90 a 100 instituições sobre as expectativas delas para inflação, crescimento econômico e taxas de juros, entre outros assuntos. É uma pesquisa que dá poder aos entrevistados. Suas respostas influenciam decisões do BC como, por exemplo, juros. Por isso, trabalhadores e empresários defendem mudanças no levantamento. Mas o BC discorda e diz que o modelo atual é importante e segue padrão internacional.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, afirma que ninguém é mais “mercado” - em tese, o setor de cuja opinião o Banco Central está atrás nas pesquisas semanais – do que a entidade sindical dele. “Eu tenho sete milhões de trabalhadores na CUT, como é que eu não sou mercado?”, questiona Artur, que gostaria de ter seu ponto de vista levado em conta pelo BC.

Além de pedir modificações no levantamento, conhecido como Focus, a CUT reivindica também um novo modelo para o Conselho Monetário Nacional (CMN). Formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do BC, o Conselho define, por exemplo, a meta de inflação que o banco persegue. É uma reivindicação que vem desde o governo Lula, sem sucesso.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, é outro que condena o formato e o poder da pesquisa. “Há muito tempo que o mercado montou uma rede de proteção social que só defende o valor da moeda”, afirma Skaf. “É preciso acabar com essa ditadura do Focus.”
Para os críticos da pesquisa, uma evidência do poder do “mercado” estaria no nível de acerto – que os críticos acham "capitulação" – sobre as decisões do BC quanto a juros. O levantamento tem o formato atual desde 2001. De lá para cá, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já sentou 74 vezes para discutir se mexia ou não no juro. A pesquisa acertou o resultado na mosca em 75% dos casos.

“Antes do Copom, há sempre uma ofensiva especulatória dessa pesquisa Focus”, diz a senadora Gleisi Hofman (PT-PR), da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Para o presidente do BC, Alexandre Tombini, no entanto, a pesquisa é importante, segue padrão observado em outros países e não passará por “qualquer mudança”. Segundo o BC, qualquer entidade pode participar da pesquisa, desde que mantenha, de forma permanente, um departamento de análises econômicas.

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