segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

MARKO ANDRADE - Entrevista exclusiva.



Marko Andrade é um amigo do projeto Cinema Possível, pois foi com ele que realizamos o primeiro videoclipe “COMUNHÃO”.
Hoje, 4 anos depois, resolvemos entrevistá-lo por razões óbvias. Nosso projeto cresceu e Marko continua firme com sua linguagem musical sofisticada e articulada nas raízes do melhor da música carioca.
Convidado para fazer a trilha sonora do filme “BRISA”, ele expõe, nesta entrevista, um pouco de sua visão de mundo.

Cinema Possível - Marko sempre quis te perguntar isso: você é um músico apenas, ou um músico negro, qual a implicação desta reflexão?

Marko Andrade - Acho que esta reflexão eu faço também a minha vida inteira. A música faz parte do meu DNA, sempre fez, mas quando me descobri negro numa sociedade perversamente preconceituosa, foi que eu me deparai que antes de tudo sou uma afro descendente, um sobrevivente e que a música seria minha ferramenta de luta, de expressão e de reflexão nesta sociedade.

CP - No teu CD Aldeia Afro Tupy há um flerte direto com o jongo e outros
ritmos afro-brasileiros, isso foi uma pesquisa? Uma vivência? Transpiração?
Transgressão?

MA - Na verdade e tudo isso junto, vivenciei o CD intensamente pois passamos, eu, Rodrigo Braga, Luiz Carlos batera, Antonio de Souza e Jô Santana fazendo um laboratório intenso para conseguirmos uma sonoridade que pudesse traduzir nossas identidades, mas que fosse algo particular antenado com modernidade e com a poesia. Eu quis também colocar entranhado no CD um pouco do que aprendi com Darcy Ribeiro e o Darcy da serrinha.

Trabalhei com ambos e foram muito importantes para o aprofundamento da minha leitura e interpretação deste Brasil de hoje, de como ele se configura e formatou este novo tipo de gente, em especial que futuro nos guarda... E o processo de maturação do CD foi também um grande privilégio pra mim, pois, reencontrei Luiz Carlos Batera , fizemos algumas parcerias e tive o prazer de conviver com um dos músicos mais espetaculares do mundo. O resultado disso é que o CD tem uma mistura de Don salvador e Grupo Abolição, Banda Black Rio, Samba, Vanguarda do Jongo que fez parte da minha formação musical e se espalha mais lá na frente.


A louca

Eram antigos os buracos-corpos
Entalhado lentamente em memória-esculturas,
E ela mesmo assim cuspia seus ossos-ruas
Na escuridão dos dias.
Os berros entalados no peito
E a solidão medieval,
Adormeciam as tardes na insônia dos bondes.
Um nectar lento e corrosivo
Transbordava-lhe a alma inteira
E ela mesmo assim girava a cabeça,
Escavava com as mãos cruas um deserto-fardo,
E em seu intenso peito farpado,
Emoldurava uma bela e estranha flor.

(Marko Andrade)
leia mais no blog http://curtabrisa.blogspot.com

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