quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

HOMENAGEM A IEMANJÁ

























































“Após 88 anos, tradição de reverenciar orixá continua forte em Salvador.”
Por Elenilson Nascimento em http://literaturaclandestina.blogpspot.com/
“Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Dandalunda, Janaína, Marabô, Princesa de Aiocá, Inaê, Sereia, Mucunã, Maria, Dona Iemanjá”, essa letra de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro foi gravada por Bethânia.

“Oguntê, Marabô, Caiala e Sobá. Oloxum, Ynaê, Janaina e Yemanjá. São rainhas do mar”, de Vicente, Dionel e Veloso por Marisa Monte.

“Vem do luar no céu. Vem do luar, no mar coberto de flor, meu bem. De Iemanjá. De Iemanjá a cantar o amor. E a se mirar. Na lua triste no céu, meu bem. Triste no mar. Se você quiser amar. Se você quiser amor. Vem comigo a Salvador. Para ouvir Iemanjá”, essa é de Baden Powell e Vinícius de Moraes.

Pois é. E ontem, 02 de fevereiro, na Bahia, celebram-se a festa de uma das deusas africanas mais conhecidas e cultuadas no Brasil: Iemanjá, a Rainha do Mar. Mas, para a fé católica, a data comemora Nossa Senhora dos Navegantes.
Em muitas outras localidades do Brasil, principalmente no litoral e em localidades portuárias, ontem foi feriado e aconteceu grandes festas, com tambores, procissões e oferendas à beira da água. Essa é também uma das festas em que o sincretismo religioso se revela de maneira mais forte, pois muitos deixam os seus preconceitos de lado e manifestam seus cultos religiosos. Enquanto nas igrejas é festejada a Senhora de Navegantes e nos terreiros a cultuada é Iemanjá, para muitas pessoas as duas entidades são a mesma.
Contudo, como Salvador anda sendo desprestigiada nos últimos anos – graças a incompetência dos Poderes Públicos, principalmente na figura do prefeito mamão João Henrique (*talvez pelo fato de ele ser evangélico tenha se “descuidado” com relação às manifestações afros) – pela primeira vez, desde que começou a tradição de homenagens à Iemanjá, o presente oficial dos pescadores não chegou ao barracão do bairro do Rio Vermelho no momento da alvorada, que acontece, todo ano, a partir das 4h da madrugada.
Mas como na Bahia todas as religiões são bem vindas e comungam do mesmo objetivo: o bem comum – gosto muito do líder espírita José Medrado (“Alicerça-se em minha alma, cada vez mais, a convicção de que a religião melhor está na que responde ao que você busca, na que dá paz à sua alma, na que responde aos seus questionamentos”), clique aqui e leia um texto bacana dele, então os próprios pescadores resolveram o problema do presente.

Segundo informações obtidas pelo LC com pessoas presentes no local, a oferenda, que teria sido encomendada a um artista plástico de São Paulo, foi danificada no trajeto para Salvador. Agora, para que contratar um artista plástico de São Paulo visto que na Bahia é um celeiro de artistas?

Mas parece que, em cima da hora, arrumaram um artista de Lauro de Freitas para fazer o presente. Ano passado também aconteceu um “probleminha” parecido, mas o presente foi consertado rapidamente. Desta vez foi grave, metade da escultura teria desmanchado e a previsão é que “alguma coisa” chegasse ao barracão por volta de meio-dia de hoje.

Mas o Rio Vermelho extrapola por abrigar essa que é uma das mais bonitas e fortes manifestações culturais da Bahia. Os fiéis, admiradores e turistas lotam a orla do bairro. E este ano, a campanha dos moradores da cidade é para que as pessoas não joguem no mar perfumes ou outros presentes que não sejam biodegradáveis, mesmo que isso seja uma tradição, para evitar a poluição do oceano e morte de vários animais marinhos.
Durante esses 88 anos de festa, a Colônia de Pescadores do Rio Vermelho, que prepara o presente especial para sua protetora, sempre fez uma festa de homenagem sem qualquer cunho político. Mas, neste ano, com esse problema com o presente encomendado a um artista plástico de São Paulo, a imprensa local chegou a noticiar que, pela primeira vez na história, Iemanjá não receberia o presente de seus filhos pescadores.
Contudo, a boa notícia para o povo do Candomblé e simpatizantes foi passada agora há pouco. Segundo informações, um grupo de pescadores foi a um ateliê na cidade de Lauro de Freitas e uma nova escultura está sendo preparada para presentear Iemanjá. Parece que trata-se de uma obra semelhante à solicitada inicialmente, em formato de concha. O presente foi entregue as 15h30, quando uma procissão seguiu para alto mar entregar as lembranças dos fiéis que já formava uma longa fila desde ontem para depositar suas oferendas nos balaios.
Hoje teve ainda shows de rock com Márcio Mello - que eu falei agora a pouco no "Programa Roda Baiana" (Rádio Metrópole FM) - e do Otto.

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