segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

goytacá boy







ando por são Paulo meio Araraquara
a pele índia do meu corpo
concha de sangue em tua veia
sangrada ao sol na carne clara

juntei meu goytacá teu guarani
tupy or not tupy
não foi a língua que ouvi
em tua boca cayçara

para falar para lamber
para lembrar
da sua língua arco íris litoral
como colar de uiara
é que eu choco como a chuva curuminha
mineral da mais profunda lágrima
que mãe chorara

para roçar para provar para tocar
na sua pele urucun de carne e osso
a minha língua tara
sonha cumer do teu almoço
e ainda como um doido curuminha
a lamber o chão que restou da Guanabara


artur gomes
http://pelegrafia.blogspot.com

Um comentário:

luiz gustavo disse...

céu de vidro


o tempo me (ex)pulsou
a vida inteira
e mudo estou
para explodir em versos
ao vento ligeiro

não quero o céu profundo
dentro em mim mas o que inflama
toda a poesia que arde em chamas

um jardim para meu fim:
rumores de asas flores pássaros
sobre todas as cinzas

pedras sobre a terra
pela última vez dispostas
nos poros desatados deste corpo

por trás dos sonhos
sinto-me leve de meus pulsos
que gritam toda a nódoa do mundo

quem quiser saber o que fui
afogue-se em meus poemas

nesta manhã desventrada dos céus - o silêncio -
ouço apenas o silêncio

o tempo é escasso
e quando o sol se pôr
estarei livre dos sonhos
de meus versos guardados

tudo se esvai - até a dor do poema -

a cova arde
como um inferno de dante
ah ! dirão: covarde

e por toda (p)arte
o meu amor é preciso

agora um f(r)io denso me invade

e por toda parte
é o meu amor preciso

- quero inventar um poema:

um vento de seda -
borboletas abanam as asas
no silêncio cristalino

meus versos inflamarão
em todas constelações
nacos da minha alma

crepúsculo –
após uma vida curta
a noite se alonga...



www.escarceunario.blogspot.com