sábado, 19 de fevereiro de 2011

fedra margarida


eu sou o teu avesso
as flores do mal-me-quer
o lado escuro da vida
de pagu a baudelaire


fedra margarida
world of the woman
http://fedramargarida.blogsot.com/



baby é cadelinha

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob o esterco de vênus
onde me perco mais me encontro menos
de tudo o que não sei
só fere mais quem menos sabe
sabre de mim baioneta estética
cortando os versos do teu descalabro
visto uma vaca triste como a tua cara:

estrela cão meu gatilho morro
a poesia é o salto de uma vara

disse-me uma vez quem não me disse
ferve o olho do tigre quando plasma
letal a veia no líquido do além
cavalo máquina meu coração quando engatilho


devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os demônios de eros
fisto uma festa a mais que tua vera

cadela pão meu filho forro
a poesia é o auto de uma fera

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os panos quem incesta
perfume o odor final do melodrama
sobras de mim papel e resma
impressão letal dos meus dedos imprensados
misto uma merda a mais que tua garra:

panela estrada grão socorro
a poesia é o fausto de uma farra


artur gomes
http://blogdabocadoinferno.blogspot.com/

Um comentário:

luiz gustavo disse...

arquiteto


(ag)ora
o cenário do céu
sem céu e que – as estrelas sabem –
o crepúsculo urra no tédio

eu – arquiteto de cárceres
da memória do cinzazul
desnudo

do que fui além distante

uma e outra
palavra
se es-
vazia
no grito dos olhos
já fúnebres a urdir a poesia

minha voz
já amarga (n)os tentáculos
do tempo e as pedras
que me consomem

este poeta
de ecos desva
irados
(ex)pira e (ex)trai
(d)as rochas duras
(d)o seu caminho
polindo as unhas

ah ! há rugas no papel
entretecido
onde a poesia
a sorver labirintos de granito
explora todo sibilar do seu enigma

a pedra se faz poema
e verte poesia
do próprio ventre
bruta não
quase-paraíso

mas fragmentos
sobre a língua
vestida de fantasmas
e viagens
como um gueto âmbar
sem saída

eu – arquiteto de cárceres
da memória do cinzazul
desnudo

do que fui
além distante