quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Poesia, Teatro, Vídeo e Música do Pontal ao Cantinho do Poeta

Por Aluysio, em 06-12-2010 - 16h20 direto do blog Opiniões http://www.fmanha.com.br/

Poeta multi-mídia e camarada em armas como autor e ator do espetáculo “Pontal”, feito também com poemas meus, da Adriana Medeiros e do Antonio Roberto Kapi, que assina a direção da peça, o incansável Artur Gomes enviou e-mail, convidando para oficina de cine-vídeo-teatro, entre 15h e 18h, seguida de uma mostra de cine-vídeo-poesia, às 21h. Tudo acontece nesta quarta-feira, dia 8, no Cantinho do Poeta, à rua Cardoso de Melo, nº 42.

Dentro do projeto “Quartas Culturais”, organizado pelo ator Yve Carvalho, o Cantinho foi palco primeiro para um sarau, com inauguração dos retratos do Artur, da Adriana e deste blogueiro, abrindo a galeria dos poetas locais, no último dia 24. Já no dia 1º, foi a vez da reencenação de “Pontal”, grande sucesso de público no último verão de Atafona, interpretado por Artur, Yve e Sidney Navarro.

Na mostra desta quarta, será exibido em telão um vídeo de 15 minutos e 40 segundos intitulado “Uma viagem do Pontal ao Cantinho do Poeta”, dirigido pelo Artur. Com imagens do Pontal, no encontro do rio Paraíba do Sul com o oceano Atlântico, e do ensaio de “Pontal” para sua mais recente apresentação, no Cantinho, o vídeo traz, na trilha sonora, duas músicas do saudoso Luizz Ribeiro, do último CD da banda Avyadores do Brazil: o blues rasgado “O Amor é Cruel”, e o rock “Dá Licença, Que Eu Vou Beijar o Céu”.


Abaixo, o vídeo que já rolando no YouTube, com o ensaio no Cantinho, em torno do barco cenográfico “Sonho de Ícaro”, com Yve e Sidney interpretando três poemas meus: “elenismo”, “aurora” e “estiagem”. Para quem quiser ler, além de ouvir, segue também a transcrição dos versos…


elenismo

onde começa a planície
à margem direita da foz
reflete à míngua um egeu
de sede da sua língua
maresia dos corpos jogados
oxida entre dedos de dédalo
o cheiro dela que esvai
e volta à memória em marés
pelo sol imolado na praia
do sacrifício por afrodite
nos meus criem o credo
daqueles olhos oblíquos

atafona, 07/06/08

aurora
(p/ dora)

dia desses, madrugada alta
insone, acordei a mulher
para matar saudades do adolescente
ébrio, na beira da praia, à espera do sol,
que buscava ouvir o mar chiando ao parir brasa

acompanhado, reconstituí a cena
tendo como elemento novo, além da mulher,
a barricada baixa de nuvens no final do horizonte
deflorada lentamente pelos dedos róseos do poeta
ela olhou e disse que as nuvens pareciam algodão doce
pensei e a mim lembraram ilha grande
que quando avistada da ilha seguinte
vê-se não ilha, mas continente;
imaginei após a amurada interna do forte
dos que querem manter como está
e já saem à guerra vencidos;
recordaram-me também a serra do imbé
fazendo fundos com a planície dos extintos
lhe dando vértebras;
ou ainda a conseqüência do recife
no qual convergissem todas as ondas do atlântico
açoitando a pedra e espalhando espuma
como o cheiro do quarto no amor
o sol nasceu entre nuvens e metáforas
contemplei-o até a cegueira
beijei a mulher e me despedi de homero
que fez do ouro seu anel de noivado
e saiu comendo algodão doce

atafona, 15/04/2000

estiagem

depois da chuva são moscas
mosquitos obstinados à caça de sangue
depois da chuva são poças
cheiro de terra, ciclo de rastros
depois da chuva são sapos
corte a amantes dentro do mato
depois da chuva são cantos
folhas mais leves prenhes de pássaros
depois da chuva são vidas
formas moldadas no meio da lama
depois da chuva são gotas
pendendo em extinção da borda da telha
depois da chuva são cores
reflexos de luz na umidade do ar
depois da chuva?
a gratidão é verde depois da chuva

atafona, 05/12/2000

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