quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Com quantas metáforas se faz uma miragem



ainda que fosse viagem
de metrô ou fantasia
e o assunto que eu mais queria
fosse o que não dissesse
e o mar apenas trouxesse
gaivotas sobre os cabelos
vento sol maresia
e o líquido que não bebemos
fosse conhac ou cerveja
mesmo assim a vida seja
entre o que os pêlos lateja
o que a tua boca não fala
o que a tua língua não prova
e a prova das dezessete
te levasse mais cedo
inda assim não tenha medo
a palavra entre meus dedos
é o que ainda não disse
miragem essa coisa nova
agora reivsitada
naquela hora marcada
do encontro que não tivemos

mesmo que não permitas
que eu toque os lençóis da tua cama
ou desfaça este nó dos teus desvelos
mesmo que a astronomia
te leve a romper os astros
na miragem dos teus olhos
e eu nunca saiba exatamente
a cor dos teus cabelos
mesmo que a meta-física
salte da tela do cinema
e as algebras da tua física
te leve de mim embora
quero que este poema
no centro dos teus sentidos
fale nos teus ouvidos
do ser que me encontro agora

arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com/

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