segunda-feira, 3 de agosto de 2009



Da mente insana agora brota o marco zero a carnavalha a jura não secreta o que escorre das mãos para o papel sujos de tinta os dedos movem-se em qualquer das direções quando tocam os elementos tipográficos vermelho sangue verde capim amarelo podre das bananas na quitanda que exalam cheiros os poemas que acabo de ler quando estive em maranhão novembro já se foi e foram viagens Tocantins afora a pele da memória expele as fibras as febres as frestas da soleira das portas sob um sol de águas de enchentes e vazantes das estações que trens não chegam sendo assim a só barcos nas ilhas e navios em mar de dentro quando singro em águas que não cessam praias do nordeste de fogo fome e sede e o que haveria de presente em futuro que não vem cicatrizes e memórias dentro a fala nas sacadas a faca a foice o corte e janelas abstratas de castelos de areias mas na carne a dor real e sacrifício que não cessa

fala palavra fala

falasse fruta fel falar felada fome fala fervura falo fogo falo festa fala palavra fala fela fala cidade fala favela rio de janeiro fevereiro carnaval fala chacal fala mangueira fala portela muito prazer o teu poema fala fala poeta que a palavra parte fala palavra arte salta da pedra da gávea pra dentro do teu poema fala cabloco tupi flecha de fogo tupã curumim de ipanema fala poema novo de dentro da casca do ovo fala carioca da gema

Artur Gomes

Nenhum comentário: