segunda-feira, 27 de julho de 2009



Vídeo com cenas Urbanas focadas pelas ruas do Rio de Janeiro, com trilha sonora de Madan sobre poema de Adélia Prado - Direção: Artur Gomes

Jura secreta 81

ainda a tardeonde tudo no teu corpo arde e entro porta entre mar de pêlos e dentro a sílaba da palavra gritao canto explode como gozo intenso e suspenso o grito que sustenta a fala vaza pelos teus cabelos pelas tuas coxas pelas tuas costas e nas encostas litoral que estamos salvador não fica mais ali defronte o farol é barra o mar já engole os peixes e peixes não moram mais no mar eu grito porque tenho fome e canto porque tenho sede de amor de fogo e sexo escrevo porque não me calo e falo que calar não posso só dia em que este mar for nosso descanso minha escridura na carne crua do teu colo

Artur Gomes

http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com/

ESSE NEGÓCIO DE POESIA NÃO É TÃO SIMPLES COMO PARECE
“Poesia precisa de imagens, de metáfora, de intensidade, de vivência, de fugir de lugares-comuns.”

Por Antonio Naud Júnior

Abrindo jornais e revistas parece que não se pode esperar da republiqueta brasileira senão escândalos, falcatruas, mentiras, corrupção, denúncias, traições, crime encomendado, desigualdade, hipocrisia. Não é somente o que acontece, nem o mais importante. No meio deste tiroteio cerrado, a poesia está mais viva do que nunca, mesmo condenada a pequenas notas de pé de página.Em Salvador, com público fiel e muita garra, existem atualmente vários saraus poéticos de primeira qualidade, destacando a lírica de jovens e bons autores: Poesia na Boca da Noite, Soltando o Verbo, Imagem do Verso etc. Mas afinal, que bicho é esse chamado poesia? Por que vem encantando a humanidade desde o nascimento do primeiro verso feito pelo primeiro ser humano e desde a primeira marca deixada pelo primeiro ser humano na primeira caverna?Muitos já experimentaram esse lampejo vivo da poesia na própria carne num momento de dúvida, de paixão, de dor. Mas esse negócio de poesia não é tão simples como parece. Não é bastante ir arrumando uma linha embaixo da outra para no fim conseguir um poema. Poesia precisa de imagens, de metáfora, de intensidade, de vivência, de fugir de lugares-comuns. Para uma autêntica poesia, o poeta deve escutar sua própria voz e deixar-se marcar por essa fatalidade: a necessidade de lidar com as palavras de forma diferente, a capacidade de mergulhar no mais fundo do seu próprio ser e de estar à margem do óbvio.Talvez seja por isso que muitos poetas são loucos. A poesia baiana ficou popularizada pelo furor satírico de Gregório de Mattos e a lira romântica de Castro Alves, e é imortal em suas muitas manifestações. Pode-se dizer que sua linguagem é eclética e sua atitude genial, ou seja, publica, recita, persiste.”

Antonio Naud Júnior nasceu no sul da Bahia, passou a infância lendo comics, “As Mil e uma Noites”, clássicos ingleses, franceses, russos e assistindo “Túnel do Tempo”, na TV. Depois entrou numa longa viagem sem volta, colocando o pé na estrada e escrevendo incansavelmente. Publicou sete livros, três deles em Portugal. Lançou recentemente mais dois, ambos pela editora baiana Via Litterarum: “Suave é o Coração Enamorado” e “Pequenas Histórias do Delírio Peculiar Humano”. Em 2006, fez parte também dos “Contos Perversos” e também assinou prefácio dos “Poemas Dispersos”, antologias da Coleção LC. E, agora, também faz parte dos "Poemas de Mil Compassos" da Coleção Literatura Clandestina/2009.

http://poemademilcompassos.blogspot.com

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