quarta-feira, 1 de julho de 2009



para Eliakin Rufino
cocada agora
só se for de coco
paçoca de amendoin
cigarro só se for de palha
cacique só se for da mata

linguagem só tupiniquim
bala só se for de prata
água só se aguardente
tônica só se for com gin
estado só se for de surto
eleição só se for sem furto
brilho só no camarim

golaço só se for de letra
ronaldo só se for werneck
malandro só se mandarim
política só se for decente
partido só sem presidente
governo eu que mando em mim

batismo só se for de pia
congresso só de poesia
reinaldo pode ser valinho
ainda mais se for jardim

A Pedra

a pedra em seu silêncio
fala da vertigem
dentro da noite veloz
e da espécie que não dorme
mesmo quando o sono
lhe atravessa mesmo muda
sempre diz da cicatriz
na carne e sangra
a pedra chora a pedra fala
a pedra canta quando chove
e o seu amor aflora
na fenda que escapa
entre suas pálpebras
que são dois lhos d’água
nos olhos da manhã

rua riachuelo
fio
elétrico
parede
sem teto
esqueleto
buraco
do avesso
telha
traça
na praça
o oco
que espelha
o endereço

Jura Secreta 41

porque te amo
e amor não tem pele
nome ou sobrenome
não adianta chamar
que ele não vem quando se quer
porque tem seus próprios códigos
e segredos

mas não tenha medo
pode sangrar pode doer
e ferir fundo
mas é razão
de estar no mundo
nem que seja por segundo
por um beijo
mesmo breve
porque te amo
no sol no sal no mar na neve

Artur Gomes
http://youtube.com/fulinaima

Profanalha Nu Rio

a flecha de são sebastião
como ogum de pênis/faca
perfura o corpo da glória
das entranhas ao coração

do catete ao largo do machado
onde aqui afora me ardo
como bardo do caos urbano
na velha aldeia carioca

sem nenhuma palavra bíblica
e muito menos avária

: orgasmo é falo no centro
lá dentro da candelária

Artur Gomes

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