segunda-feira, 27 de abril de 2009

Notas Radicais












Não é porque a maioria dos skatistas brasileiros não possui carreira despontada internacionalmente, como Bob Burnquist, que a arte de andar sobre trucks e rolamentos deva ser ignorada, discriminada. Um pensamento que, porventura, passa em muitas mentes, de que o skate é um esporte praticado por marginais - no sentido mais discriminatório do termo - só tende (ainda bem!) a cair por terra. Além do pessoal que pratica esse esporte urbano mostrar que arrasa no equilíbrio, em pistas e ares, instituições reconhecem o fato e promovem eventos destinados à área. Um desses reconhecimentos pode ser visto no projeto "Cultura Urbana", que misturou o urbano da poesia, do esporte e da música numa performance realizada no último sábado, no Sesc. No Ginásio Poliesportivo da instituição, se posicionaram sobre rampas skatistas de Campos que já participam de oficinas no Sesc, e outros que, como estes, simplesmente andam pelas ruas da cidade - buscando adrenalina, atrás de espaço. Tinha gente de todas as idades: desde o pessoal que conhece a "cena" campista há um bom tempo, até os novatos, que não demonstraram nenhum obstáculo em superar os posicionados Ginásio afora. - O Sesc é o único local na cidade que oferece uma estrutura, com pistas, por exemplo, para quem pratica street [uma das modalidades do skate]. - fez uma observação o skatista Luciano Paes, que ministra as oficinas do esporte no Sesc. - É tudo gratuito! E isso é muito bom para a galera que está praticando. A idéia de agregar valores é super interessante: misturar o skate com poesias, com a produção de vídeos, bate-papos... Isso mostra que o skate não é só um esporte: é um estilo de se viver! Sobre as escadarias do Poliesportivo, coordenou a trilha sonora convidativa da tarde o artista multimídia Artur Gomes. O videomaker se muniu da companhia dos músicos Fil Buc - que, filho de Artur, se dedica a linguagens culturais - e Luís Ribeiro, que integra a lendária e talentosamente reconhecida banda Avyadores do Brasil. Enquanto os meninos - e, para desespero de uma sociedade pré-julgadora, meninas, também! - andavam de um lado para o outro sobre os shapes, quem passou a tarde no Espaço Plural, no próprio Sesc, pôde assistir a vídeos do esporte de Burnquist. Outras pessoas, posicionadas em locais vários do Ginásio, registravam em vídeo tudo aquilo. E, ao mesmo tempo, Artur, Fil e Luís não poupavam o pessoal de uma empolgação, feita com riffs de guitarra, base de acordes e com poemas recitados aos quatro cantos. - Essa iniciativa faz com que o pessoal que anda de skate e pratica outros esportes urbanos não se sinta ilhado - defende Artur. - A idéia é colocar num só espaço tudo o que pode ser integrado, porque, até bem pouco tempo, o skatista em Campos era visto como marginal. Bem sabe disso o estudante Bernardo Reis, de 15 anos. Ele anda de skate há bem pouco tempo (por volta de um mês), mas entende da necessidade de espaço na cidade para o esporte, e gosta e acha importante o que vem sendo feito nas oficinas do Sesc. - É uma boa idéia: a das oficinas e a de misturar poema, música e esporte. Isso abre espaço para o que não tinha essa possibilidade. Sem as oficinas, a gente acaba andando nas ruas, somente. E as músicas e poesias são legais porque empolgam quando a gente está fazendo as manobras - pontua. O "Cultura Urbana" vai, agora, colocar todos esses vídeos que vêm sendo feitos no Sesc nas ruas da cidade e em outros locais de características urbanas, numa mostra que acontece em maio. As atividades do projeto são gratuitas, convidativas e, segundo gente que participa delas, satisfatórias. O Sesc fica na Avenida Alberto Torres, no centro de Campos, perto do antigo Fórum.




Thaís Bereta - thaisbereta@fmanha.com.br

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