quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Lençóis de Renda

Publicado no livro Couro Cru & Carne Viva(1987)
Prêmio Internacional de Poesia Universiade de Laval Quebec-Canadá


EU
poderia abrir teu corpo com os meus dentes
rasgar panos e sedas
com as unhas arreganhar as tuas fendas
desatar todos os nós
da tua cama arrancar os cobertores
rasgando as rendas dos lençóis

perpetuar a ferro e fogo
minhas marcas no teu útero
meus desejos imorais
maldizendo a hora soberana
com a força sobre/humana dos mortais
quando vem me oferecer migalha e frutos
como quem dá de cumer aos animais

Tropicalismo

1.
girassóis pousando
NU teu corpo festa
beija flor seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva
de saliva doce

2.
vendo a lua leviana
no império das bananas
papagaios
periquitos
graviola

a fruta eu chupo morena
semente eu planto cigana
na selva pernambucana
nossa língua deita e rola

Pátira(R)Amada

só me queira assim caçado
mestiço, vadio, latino
leão feroz cão danado
perturbando o seu destino

e só me queira encapetado
profanando àqueles hinos
malandro moleque safado
depravando os seus meninos

só me queira enfeitiçado
veloz macio felino
em pêlo nu depravado
em tua cama sol a pino

e só me queira desalmado
cão algoz e assassino
duplamente descarado
quando escrevo e não assino

Artur Gomes
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com

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