quarta-feira, 19 de novembro de 2008

tudo aquilo quanto penso



não fosse o amor
essa faca de dois gumes
e o tempo que chove na janela
entre os meus e os olhos dela
alguma face no espelho
e o sangue pelas veias
atiçando unhas e músculos
não fosse uma lâmina acesa
entre os corredores do corpo
quando a carne é brasa
e as paredes da casa
não separam mais nada
quando os pulsos saltam das portas
para os porões do mais intenso
íntimo do teu íntimo
não fosse essa lâmpada
esse cálice esse líquido
pela boca a dentro
quando entra pelo teu quarto
tudo aquilo quanto penso

Artur Gomes
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com/

Nenhum comentário: