sexta-feira, 23 de maio de 2008

o avesso do avesso do avesso

olhando o suor nos corpos do edifício
quando sangue índio já jorrou aqui
e de tuas janelas não verás país nenhum
se do outro lado da cidade
a fome sangra
do outro lado da cidade
a sede mata
e não tem poema
nem rima abstrata
é realidade nua e crua
aqui vende-se até nome de rua
e compra-se também
voto consciência liminares
laranjas fantasmas liberdade
nada mais espanta
nada mais assusta
vende-se tudo nos mercados
da esquina
a dor do parto
e a virgindade das meninas
vende-se compra-se
do pudor a vaidade
vende-se tudo caro amigo
aqui vende-se até
as entranhas da cidade

arturgomes
http://goytacity.zip.net

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